Copa levará sistema de detecção de tiros para entorno do Maracanã

Domingo, 10 de outubro de 2010 - 07h30 Última atualização, 10/10/2010 - 07h30

Helton Simões Gomes

O arredor do estádio do Maracanã, no bairro carioca da Tijuca, será a segunda região do Brasil a receber o SDD (Sistema de Detecção de Disparos de Armas de Fogo), com o intuito aumentar a segurança para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, confidenciou ao eBand Roberto Motta, diretor da ASI, empresa responsável por trazer a tecnologia dos Estados Unidos. "Acredito que, dentro de duas semanas, estejamos já com o contrato assinado. E dentro de um mês, um mês e meio, já começamos a instalação aqui no Rio de Janeiro", explicou Motta.

"O projeto piloto, a ser instalado em parte da área da Tijuca, incluindo as cercanias do Maracanã, está aprovado e encontra-se sob análise da Assessoria Jurídica da Secretaria de Segurança e cumprimento de exigências formais, a fim de atender ao arcabouço legal exigido para a assinatura do contrato", confirmou, em nota, a Subsecretaria de Modernização Tecnológica do Estado do Rio de Janeiro.

A tecnologia funciona com a instalação de sensores nas ruas que captam os ruídos do ambiente e, ao identificar um barulho de caráter explosivo, analisam se partiu de uma arma de fogo. Comprovando-se a hipótese do tiroteio, uma gravação que dura desde os cinco segundos anteriores ao primeiro tiro até os cinco segundos posteriores ao último é enviada a uma central de monitoramento. "A idéia é que o torcedor que vai ao Maracanã se sinta totalmente tranqüilo e protegido, pois qualquer troca de tido que acontecer ao redor do estádio, num raio de um quilômetro, vai ser detectado em cinco segundos e a polícia vai ter toda a capacidade de reagir", declarou Motta.

O SDD foi trazido dos EUA, onde tinha o nome de ShotSpotter. Os mais de 50 locais que o receberam registraram, em média, redução de 20% do número de homicídios. Estão na lista São Francisco, Nova Orleans, Chicago e Los Angeles, cuja queda foi de 40%. Na capital Washington, são mais de 40 km² cobertos pelo sistema, atesta Motta. Ele informa que essa rede seria suficiente para cobrir toda a região metropolitana do Rio de Janeiro.

Segurança para a Copa

A instalação do sistema faz parte de um acordo de colaboração estratégica entre o Tribunal de Justiça e o Governo do Estado do Rio de Janeiro para aumentar a segurança pública, segundo Motta. Da verba total de mais de R$ 60 milhões, o SDD receberá pouco mais de R$ 3 milhões.

O sistema funciona desde o fim de setembro em Canoas (RS). No dia do lançamento, o ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto foi conferir o funcionamento do SDD. "O Brasil vai acompanhar esse projeto piloto para que conheçamos seus bons resultados e multipliquemos essa ação", declarou Barreto, empolgado com o que viu, prometendo implantá-lo nas cidades sede da Copa do Mundo. "O Ministério da Justiça está fazendo de Canoas um piloto", completou o secretário de Segurança Pública e Cidadania da cidade Alberto Kopittke.

O diretor da ASI explica que as localidades foram escolhidas para o sistema ser testado em duas situações: primeiro numa região de baixa renda, alto índice de criminalidade e sem infraestrutura, e o outra num bairro de classe média alta, urbano, mas cercado por favelas.

Mudança para policiais

"Geralmente as tecnologias implantadas são impostas de cima para baixo e acabam tendo pouco ou nenhum impacto para o homem que fica na rua", disse Motta. Ele conta que, além de a tecnologia oferecer informações de aproximação numa ocorrência policial, vai servir como instrumento para tirar das ruas um grande número de armas de fogo.

O Tenente-Coronel PM Carlos Alfradique, atual Superintendente de Projetos de Modernização, acredita que o SDD pode ajudar nas investigações policiais e também a fiscalizar abusos de poder. "Vai ser uma ferramenta não só da polícia ostensiva, mas da judicial também", disse.

Fonte: http://www.band.com.br/jornalismo/cidades/conteudo.asp?ID=100000355999


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