Sistema detector de tiros ajuda polícia a prender bandidos em Canoas

Helton Simões Gomes

Na tarde da última terça-feira de setembro, Guilherme Alves de Almeida, de 24 anos, começou a atirar com sua pistola 765 mm no meio da Rua Francisco Gomes, no bairro de Guajuviras, em Canoas (RS). Não havia policiais nas proximidades, mas depois de sete minutos, sem receber nenhuma denúncia do ocorrido, uma viatura da Brigada Militar chegou ao local e prendeu o jovem em flagrante. A agilidade na operação se deu por conta da mais nova arma da polícia canoense, o SDD (Sistema de Detecção de Disparos de Armas de Fogo), que detecta onde, quando e até quantos disparos com arma de fogo foram feitos. É a primeira cidade da América Latina a receber a tecnologia.

"Se não houvesse o sistema, a polícia ficaria sequer sabendo dos disparos", afirmou o secretário de Segurança Pública e Cidadania de Canoas Alberto Kopittke. "A criminalidade aqui é tão séria quanto em qualquer cidade do Brasil. O índice de homicídios era extremamente alto e o poder público tinha que fazer algo". Dito e feito. No ano passado, o palco de 50 dos 126 homicídios no município, o bairro de Guajuviras, o mais populoso da região metropolitana de Porto Alegre, se tornou o nono Território da Paz do Brasil.

Com isso, passou a abrigar projetos bancados pela verba de R$ 9 milhões oriunda do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), parceria entre o governo municipal e o federal. Com os recursos, a prefeitura instalou 50 câmeras em toda a cidade há cerca de 90 dias. E até o final do ano serão 98. O SDD recebeu R$ 2 milhões destes recursos.

O sistema foi trazido dos Estados Unidos para cá pela ASI em conjunto com a Motorola. "É uma mudança na regra do jogo", afirmou o diretor da ASI, Roberto Motta. "Essa tecnologia vai ser um instrumento muito poderoso para tirar da rua um grande número de armas de fogo, que hoje, pelo estatuto do desarmamento, implica em crime". Foi justamente o que aconteceu com Guilherme Alves de Almeida que, além de ter a pistola apreendida, vai responder por porte ilegal de arma e disparo em via pública.

Polícia recebe alarme até 15s depois de tiro

O SDD funciona assim: um conjunto de sensores instalados nas ruas capta os ruídos do ambiente. Quando identifica um barulho de caráter explosivo, o computador interno começa a análise para comprovar se provém de uma arma de fogo. Se for realmente um tiroteio, uma gravação que dura desde os cinco segundos anteriores ao primeiro tiro até os cinco segundos posteriores ao último é enviada à central de monitoramento em até quinze segundos. Na cidade gaúcha são três: no GGI (Grupo de Gerenciamento Integrado) na Prefeitura, na 3ª Companhia e outra no 15º Batalhão da Brigada Militar.

"É uma vantagem muito grande para a polícia", garantiu major Gérson Dias Gomes, comandante do 15º, que conta atender de duas a cinco ocorrências por dia alarmadas pelo SDD. O sistema ainda permite traçar parâmetros e comportamentos a partir da incidência dos tiros e facilita as investigações policiais, apontando quem foi o primeiro a puxar o gatilho.

Fonte: http://www.band.com.br/jornalismo/cidades/conteudo.asp?ID=100000355998


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